MENDIGAR O PÃO E PERDER A DIGNIDADE

15/11/2015 21:57

POLÍCIA MILITAR DE SERVIÇO NA GREVE DA USIMINAS, NA BAIXADA SANTISTA, ACEITA “AGRADINHO” E PERDE A CREDIBILIDADE.

POLÍCIA FOI CHAMADA PARA ATUAR NUM MOVIMENTO GREVISTA, MAS COMO SEMPRE, ALGUÉM ESCOLHEU O LADO QUE IA VENCER, E A PM FOI USADA POLITICAMENTE, EM TROCA DE UM BANDEJÃO.

Lei Federal nº 7.783 de 1989 – LEI DE GREVE: Art. 1º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.

Quando a greve deixa de ser uma JUSTA REIVINDICAÇÃO do trabalhador e passa a ser um crime, um evento que necessite da polícia?

Pelo seu trabalho eminentemente preventivo, a PM justifica com muita tranquilidade a sua presença nos eventos de envolvimento coletivo reivindicatório, uma vez que não se pode esperar o crime acontecer para agir.

Mas, qual deve ser a postura da Polícia Militar, uma instituição governamental, isenta e apartidária numa negociação sindical ou num movimento grevista? CONTEMPORIZAR COM O SINDICATO PATRONAL?

Um dos requisitos necessários para legitimar o ato da administração pública é a impessoalidade, ou seja, a isenção, a desobrigação com uma das partes do conflito. Sem esse requisito, é um ato viciado.

O termo “COXINHA”, utilizado para desmerecer a polícia militar foi idealizado justamente em represália de uma das partes, desfavorecida pela ação policial, em razão de a outra parte haver proporcionado vantagem, que por sua natureza ou valor financeiro, não chega a caracterizar um crime de suborno (corrupção ativa e passiva), mas sim o chamado “agradinho”, que por si só, torna-se muito mais humilhante do que o próprio suborno, porque estabelece uma relação de subordinação direta do Estado, através de seu agente, a uma das partes da contenda, viciando toda a dinâmica de ação da Administração Pública.

É inaceitável a instituição Polícia Militar apresentar-se para efetuar o policiamento ostensivo preventivo em uma empresa, face a um movimento reivindicatório legítimo, mediante a mera expectativa de que haja ruptura da ordem, e contemporizar com apenas uma das partes, aceitando favores e utilizando instalações, equipamentos, aceitando gorjetas, mimos e alimentos, em detrimento da sensação de subserviência transmitida à outra parte.

 

Um policial militar que não consegue pagar pela própria alimentação, deve urgentemente procurar um orientador financeiro, porque com certeza sua família está vivendo à míngua, sem dignidade e sem saúde. Entretanto, se por ventura não tratar-se de necessidade, a conduta é muito mais grave, pela sua futilidade.

A fotografia mostra o que vemos todos os dias nas grandes empresas, nos refeitórios dos “peões”. A PM dividindo o espaço com os demais funcionários, numa demonstração subliminar que denota relação de subordinação aos interesses do patrão.

As indústrias, as montadoras, os hipermercados, as lojas de departamentos, as metalúrgicas, todas as empresas que possuem refeitórios para seus funcionários, destinam uma quota para os agentes de segurança pública. Não por caridade, mas a fim de demonstrarem às suas “ovelhas” que há um bando de “cães pastores” as vigiando...

Humilhação. Esse é o termo correto.

O policial está sorridente, como se aquele comportamento não fosse ilegal e imoral. Como se fosse mais um funcionário daquela empresa, quando na realidade está ali representando o Estado e está mostrando a todos que o Estado escolheu um lado...

Ao aceitar essa situação de “parceria” com o patrão, a PM passa, ainda que inadvertidamente, uma imagem muito negativa, quase criminosa, de que está do lado do rico. De que está do lado do patrão. De que está ali para combater o trabalhador.

Policial. Valorize-se. Pare de aceitar essa condição degradante de submissão que envergonha cada dia mais a nossa família.

Diga não à mendicância do policial fardado, de serviço.

Marco Ferreira - APPMARESP

referência: https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2015/11/reuniao-termina-sem-definicao-de-novo-protesto-contra-usiminas.html


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