NÃO RECONHEÇO AS NOSSAS MULHERES... POLICIAL FEMININA: UM BRAÇO DA LEI, OU UM PEDAÇO DE CARNE?

24/09/2015 11:58

A PRÁTICA COMUM DO ASSÉDIO SEXUAL DENTRO DOS QUARTÉIS.

A figura feminina dentro das polícias militares ainda é um tabu nos estados brasileiros, uma vez que a imagem delicada da mulher contrasta com a visão da sociedade de uma polícia enérgica e, por vezes, até violenta.

A fragilidade do mundo feminino, com suas maquiagens, seus trejeitos, sua sensibilidade e sua versatilidade, encantam a qualquer observador mais atento, todavia, por trás dessa aparência frágil e delicada, sabemos que as mulheres podem ser duras, resilientes e determinadas ao extremo, fazendo valer sua condição de igualdade mesmo em situações de grande tensão e desgaste.

A capacidade feminina de adaptação e acúmulo de atividades é descrita por estudiosos como excepcional, além de sua predisposição à lida com situações de estresse e grandes cargas emocionais, como é o trabalho policial militar, que lida com seres humanos em situações adversas, sempre no limiar de sua sanidade e razão.


MAS, COMO ENTENDER A SITUAÇÃO DE SUBMISSÃO DA POLICIAL FEMININA À HUMILHAÇÃO DE SER COMPARADA A UM PEDAÇO DE CARNE E NÃO SE REVOLTAR?

A disciplina militar é um meio de se moldar o indivíduo para adversidades, para que ele se encaixe em um determinado perfil coletivo subordinado a ordens de certos indivíduos, que serão identificados como seus “comandos”, o que numa tradução mais detalhada, deve ser entendido como “donos de suas vontades”.

No meio militar, UMA ORDEM EMITIDA é uma mensagem clara para o subconsciente do “subordinado” de que deve ser cumprida, não importando os meios a serem utilizados, e que a recusa de obediência, além de ser um crime, é um ato desonroso de insubordinação, que retira do signatário de tal mandamento a dignidade de ser considerado um soldado, transformando-o num proscrito, inimigo da liberdade e da autoridade.

Este princípio da autoridade aplicado nas polícias militares, a exemplo das Forças Armadas, acaba por ensinar ao subordinado que seu comandante é o seu senhor e que jamais poderá desapontá-lo com a recusa de obediência, além de os pilares da Polícia Militar, serem a HIERARQUIA E A DISCIPLINA contra as quais nenhum subordinado pode ou deve se insurgir.

Mas há um problema. Um câncer dentro das polícias militares, que é o machismo exacerbado, que fomenta a misoginia descontrolada, onde a mulher é tratada como objeto, sendo constantemente ridicularizada e submetida a tratamento desigual e vexatório, além de ter sua dignidade e sua intimidade violadas constantemente pelos seus “superiores”, sem que tenha a quem se queixar dentro da instituição.

Estas mesmas mulheres, guerreiras, que enfrentam o bandido nas ruas, que gerenciam seu lar, seus filhos, maridos, despesas da casa e ainda fazem bico pra ajudar na renda familiar, quando na caserna perdem a autonomia sobre o próprio corpo e sobre a própria dignidade humana.


QUAL A POLICIAL FEMININA QUE NÃO LEVOU UMA CANTADA DE SEU SUPERIOR, OU UM “ESBARRÃO ACIDENTAL” NOS CORREDORES DO QUARTEL, OU NÃO LHE FOI PROPOSTA DETERMINADA “FACILIDADE” NA SUA LIDA DIÁRIA?
QUAL O PREÇO DESSA SUBMISSÃO?


É muito comum, em conversas isoladas com as policiais femininas, obter nomes e patentes de quem as assedia sexualmente, entretanto, quando se fala em denunciar tal comportamento, elas são as que mais se opõem a tal conduta, alegando que isso as prejudicaria no trabalho, na família, além de reduzí-las à pecha de “vagabundas”.

Quando uma ou outra cria coragem e denuncia esse tratamento, passa a ser imediatamente perseguida e humilhada em público, sendo difamada por seus superiores, transferida de funções e vista como uma criminosa pelos próprios companheiros de serviço.

Nos diversos casos que acompanhamos, as averiguações apontaram para a inocência dos superiores e prejudicaram o futuro profissional das subordinadas denunciantes, muitas das quais ficaram com traumas psicológicos e sofreram consequências de ruptura familiar, doenças físicas e perda de auto-estima.


COMO MUDAR ISSO?

Uma mulher, qualquer que seja a sua profissão, é um ser humano, dotado de todos os direitos e garantias constitucionais e previstas em todos os tratados, pactos e convenções de Direitos Humanos dos quais nosso país é signatário. É inaceitável que seja tratada como um pedaço de carne, com menos dignidade do que qualquer outro ser humano.

Visando corrigir essa enorme discrepância social no âmbito interno da Policia Militar, iniciaremos um estudo detalhado, criando um link seguro no nosso sitewww.appmaresp.com para que as mulheres policiais militares sintam-se seguras em relatar problemas dessa ordem, identificando-se ou não, mas cujo sigilo será mantido e, de posse das informações, procuraremos o poder legislativo estadual e federal e proporemos uma audiência pública nesse sentido, exigindo mudanças radicais nos regramentos de caserna a fim de extinguirem essa segregação leviana da mulher policial.

DEVEMOS VALORIZAR A MULHER POLICIAL, ASSIM COMO A MULHER INDIVÍDUO, EMPODERANDO-AS E FAZENDO COM QUE VEJAM QUE SÃO INDIVÍDUAS FUNDAMENTAIS E IGUAIS EM DIREITOS E RECONHECIMENTO.

PELO FIM DA MISOGINIA NOS QUARTÉIS E EM QUALQUER OUTRO LUGAR!

PELO EMPODERAMENTO DA MULHER POLICIAL!


Contem conosco.

Marco Ferreira - APPMARESP

 

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