O ABUSO NOS QUARTÉIS E A TELEVISÃO: PARCIALIDADE???

03/04/2015 17:08

POR QUE A TELEVISÃO NÃO MOSTRA AO CIDADÃO PELO QUÊ O POLICIAL PASSA ANTES DE SAIR ÀS RUAS PARA PRESTAR UM SERVIÇO À SOCIEDADE?

Ontem, 29/03/2015 o FANTÁSTICO exibiu uma matéria jornalística a respeito dos abusos cometidos por superiores contra policiais militares e civis no Brasil. Uma matéria resumida, pouco objetiva e direcionada. Muito aquém do que a sociedade anseia, principalmente dos policiais e das policiais que sofrem na pele esse tipo de constrangimento.

NÃO FOI MOSTRADA NEM A PONTA DO ICEBERG.

O militarismo nas polícias estaduais, é a porta de entrada para toda sorte de abusos, quer físicos (justificados pela afirmação de que devemos ser resistentes à dor, ao frio, à fome...),quer seja psicológicos (afirmações constantes de que somos animais guiados por um líder e que devemos obedecê-lo cegamente, doa a quem doer) e até morais (sanitário coletivo, armário coletivo, material de higiene pessoal coletivo, humilhações constantes, privação de alimentação e sono, abusos sexuais, entre outros).
O militar se vê entre o abuso e a delação. O abuso o enfraquece moral e psicologicamente, tornando-o em uma pessoa amarga e vingativa, que irá descarregar no primeiro cidadão que encontrar pela frente essas frustrações. A delação de tal comportamento, o coloca numa situação de afastamento do grupo, uma vez que terá “quebrado” a confiança do “superior” e pagará um alto preço, inclusive entre os demais assediados dentre os quais, muitos sentem prazer em serem açoitados em benefício do regime militar.
A mulher policial enfrenta, além do preconceito dos seus pares, pelo fato de ser considerada frágil, os abusos por parte de seus superiores, que entendem que ela é uma espécie de “mal necessário”, uma vez que não escondem sua aversão à qualidade feminina frente ao embate.
Os treinamentos, tarefas e demais instruções são genéricos, colocando a mulher numa situação de chacota por parte dos homens, que fisicamente são mais fortes, quando na realidade, as tarefas deveriam ser distribuídas de modo a aproveitar o melhor de cada ser humano. Isso não ocorre, porque o comandante precisa demonstrar sua “superioridade” aos demais subjugados, que deixam de pensar individualmente e esquecem o que aprenderam em família e em sociedade, para seguirem os paradigmas criados na instituição.
A figura feminina dentro dos quartéis é vista como uma espécie de estorvo, uma vez que são ridicularizadas em quase todas as tarefas a que são destinadas, sempre com o fito de desestimulá-las a alimentar sua autoestima. São constantemente assediadas sexualmente por seus comandantes, que, quando rechaçados, passam a persegui-las impondo-lhes punições disciplinares e as ridicularizando frente ao grupo.

TODOS SABEM MAS O REGIME MILITAR, ONDE O SER HUMANO É REDUZIDO A UM CÃO DE SEGUNDA LINHAGEM, IMPEDE QUE SE DENUNCIE.

Nós homens também somos assediados, mas nós temos a nossa santa “ignorância”, que leva os superiores a estacionarem seus ataques num certo ponto, por medo de consequências físicas (como um tiro na cara, por exemplo), o que, para as mulheres é mais difícil, pela sua sensibilidade e comedimento excessivos.
Os homens da polícia são muito corajosos quando se trata de defender a instituição, o governo, as oligarquias, o industriário, o banqueiro, e todos os demais setores que “mandam” na polícia, mas são uns grandes covardes quando se trata de defenderem estas mulheres, mães, filhas, esposas, que dividem a farda com eles, mas que são tratadas como cidadãs de segunda estirpe.
Essa pecha gerada pelo regime militarizado das polícias é, sem dúvidas, a porta de entrada para toda sorte de abusos contra o ser humano policial, e não há nenhuma instituição que as defenda, ou que nos defenda, uma vez que a Polícia Militar tem seu próprio sistema apuração e aplicação da justiça que é uma grande piada. Onde o mesmo oficial que faz a função de promotor de acusação é aquele que vai dar a sentença, na qualidade de juiz. Nem o sistema mais imbecil do mundo adotaria um tribunal desses, mas nas PPMM é assim que funciona.
O Direitos Humanos não atendem às polícias porque a polícia representa o Estado e, nesse caso, somos menos humanos que qualquer outro ser humano do país.

A QUEM RECORRER?

MULHER, VOCÊ QUE DESEJA SE TORNAR UMA POLICIAL, REFLITA SE É ISSO QUE QUER PARA SUA VIDA, SER HUMILHADA, INVADIDA NA SUA INTIMIDADE E PRIVACIDADE, AGREDIDA, E TER QUE SE CALAR POR ESTAR NO “LUGAR ERRADO” ... OU DO LADO ERRADO DA CORDA...

Na minha vida policial, conheci muitas mulheres de fibra, que tinham que, além da dupla jornada no lar e na família, conviver com esses ordinários cretinos, que se valem de suas patentes elevadas para torturar psicologicamente seus subordinados.
A invasão da intimidade feminina é um dos mais graves crimes cometidos nas polícias militares, mas infelizmente não é visto como um comportamento desprezível, nem mesmo pelos próprios policiais masculinos, que ainda tecem comentários maldosos imputando a culpa pela agressão ao batom, à maquiagem, ao penteado ou ao vestuário das agredidas, como nos casos de estupro, onde parcela da sociedade atribui a culpa à vítima, e não ao estuprador.
Gostaria de poder citar aqui o nome de uma dezena de bravas policiais militares com quem já trabalhei, que sofreram esse tipo de constrangimento e violência, mas sei que estaria as prejudicando dentro do quartel.
Dedico esta matéria à sargento de Polícia Militar Sonia Samora, de Minas Gerais, a quem não conheço, mas que teve a dignidade de denunciar e pagar o alto preço, mesmo entre seus parceiros de todos os dias...

Marco Ferreira - Jornalista.

 


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