O Último Adeus

23/06/2014 17:30

O velório dele não foi apenas comovente, foi épico, afinal, ali naquele caixão estava um herói da cidade de Piracicaba: Arnaldo Francisco de Brito, 44 anos, o sargento Brito, assassinado covardemente por um facínora na porta de uma lanchonete no último sábado, dia 14. Foi difícil, mas foi lindo ver ali reunidos, policiais de todas as gerações: novos e velhos, de diferentes quadros da polícia, oficiais e praças, ex-policiais, aposentados, policiais civis, guardas municipais, e uma gama de pessoas de vários extratos sociais despedindo-se do nosso herói.

Homens fardados, preparados para nos defender, esvaindo-se em lágrimas, afinal são tão humanos quanto o herói tombado, porque não chorariam? Fosse o sargento Brito no velório de outro PM, estaria ali chorando também. Somos a linha de frente da Democracia, encarregados de manter a paz e assegurar o direito sagrado à vida, à segurança.

Somos vítimas da violência justamente por defendermos esses ideais. Mas quem se importa? A mãe de seus filhos absorvia forças que iam além dela para tornar aquele acontecimento aos seus três filhos, algo possível. Disse, entre a umidade das lágrimas dos presentes diante do corpo fardado dele, que todos têm seus heróis, ali estava o das crianças e que elas não deveriam se preocupar. Essa cena foi difícil de testemunhar.O pai do herói: o velho Britão. Poxa! se já é difícil um pai enterrar o filho, o que dizer de um pai igualmente policial enterrando o seu filho também na mesma profissão.

E os amigos e parentes, que se acostumaram com um sorriso discreto de boca torta que o marcava. Sempre sábio, equilibrado, calmo, respeitável com seus subordinados.Foi um dos grandes homens que compunham a Força Tática do Batalhão de Polícia de Piracicaba. Um herói trágico que resume a alma do policial contemporâneo, na concepção grega da palavra, como Aquiles, na Grécia Antiga, sabedor de que se embarcasse rumo à guerra, seria glorificado, mas não voltaria vivo dela.

O sargento Brito era tão defensor da vida do outro que, mesmo após a sua morte, manteve a preocupação de salvar o próximo, pois era doador de órgãos.O que fica? Fica a saudade, um gosto amargo de Abril Despedaçado, um silêncio ensurdecedor de impunidade sobre os que praticam atentados contra os agentes do Estado, um panorama risível da Segurança Pública, um odor de crisântemo ao qual estamos nos acostumando e o leve toque da mão de Deus, a quem rezamos para que dê conforto a essa família que teve parte de sua história interrompida pela violência.


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