RESPONSABILIDADE PELA LETALIDADE POLICIAL É JOGADA NAS COSTAS DO OPERÁRIO.

06/07/2015 16:10

A CÚPULA DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO REFUTA A RESPONSABILIDADE E DIZ QUE A CULPA É DO PATRULHEIRO.“ALTA TAXA DE LETALIDADE”

NAS AÇÕES POLICIAS DEVE SER COMBATIDA PUNINDO-SE O AGENTE, A FIM DE INTIMIDÁ-LO.

A Polícia Militar do Estado de São Paulo está punindo os agentes envolvidos em ocorrências policiais que resultem em morte ou ferimentos de agressores da sociedade em razão de resistência à ação policial com transferências e afastamento do policiamento, atividade fim da PM.

 

Há uma ordem, secreta, reservada, obscura, nos altos escalões da PM paulista, determinando que cada policial que for envolvido em ocorrências de gravidade, seja transferido de sua cidade, de sua unidade policial, que seja retirado da atividade fim e seja realocado para funções administrativas, ou seja, o policial que tiver o azar de se deparar com uma ocorrência grave e que reagir à altura, será execrado na instituição e terá suas rotinas drasticamente alteradas, como forma de punição velada, remetendo o policial à condição de vítima, ou de omisso, assumindo assim a PM, a postura institucional da conivência com os criminosos e mandando um recado subliminar para os bandidos de que seus agentes são alvos fáceis e que basta que o ladrão atire contra os bons policiais para que sejam afastados do seu trabalho.

 

POR QUE RAZÃO ISSO ACONTECE?

O policial militar de rua, o patrulheiro, é a última linha de combate ao crime. Ele é a “ponta da corda”, como se diz no popular. Ele deveria ter um manual de comportamento para cada tipo de ocorrência, ditado pelos órgãos de planejamento da PM, com apoio logístico e assistência remota do setor de gerenciamento de produtos e serviços, mas não é o que acontece.
Os procedimentos operacionais padrão da PM são falhos e obscuros, além de ultrapassados e inconsistentes, uma vez que o procedimento para uma simples abordagem policial não garante ao policial “ponta da corda”, a tranquilidade jurídica de estar fazendo o que o gerente mandou, porque só vai até certo ponto, justamente o ponto crucial da responsabilização solidária da empresa, onde ela te abandona e você é inteiramente responsável pelo que acontecer dali em diante.
Por exemplo, no POP (Procedimento Operacional Padrão) de abordagem a suspeito, a PM manda que você aborde o indivíduo e lhe dê ordem para colocar as mãos sobre a cabeça. Caso ele recuse, você deve utilizar o escalonamento do uso da força, a fim de gerar obediência. Caso ele continue a desobedecer, o POP determina que você lhe aponte a arma. Daí pra frente, o POP silencia quanto à providência a ser adotada porquanto persista a desobediência.

 

AÍ VEM O PROBLEMA. A PARTIR DAÍ, QUALQUER DECISÃO QUE TOMAR SERÁ DE SUA INTEIRA RESPONSABILIDADE, OU SEJA, VOCÊ ESTÁ COM A ARMA APONTADA PARA O SUSPEITO, ELE SE RECUSA A OBEDECÊ-LO E A EMPRESA SE OMITE.

 

Se você tomar a iniciativa de guardar sua arma e se retirar do local, estará cometendo crime de PREVARICAÇÃO. Se você atirar contra o suspeito, a PM irá prendê-lo imediatamente em flagrante e vai te esculachar na imprensa, dizendo que o que você fez foi um DESVIO DE CONDUTA.

 

SE O SEU ATO FOI UM DESVIO DE CONDUTA, QUAL É A CONDUTA RECOMENDADA PELA PM?

O caso mais recente, de um embate envolvendo um policial da ROCAM (Ronda com Apoio de Motocicletas) do policiamento da capital, desnudou uma realidade que ocorre com uma frequência espantosa. Todos os dias, policiais são presos administrativamente por terem tomado decisões em que a PM se omite e torce para dar certo. Só que quando não dá, não assumem seu erro e punem o soldado, o cabo e se livram de sua responsabilidade solidária pelo ato de seu funcionário, no exercício da função e sob A ÉGIDE funcional.
O cabo em questão foi preso mas, devido à repercussão que o caso teve, favorável à ação do policial, a PMESP voltou atrás na sua arbitrariedade e simulou ter recolhido o policial apenas para o “serviço administrativo”, demonstrando seu despreparo institucional para assumir responsabilidades.
Também foi preso o soldado que matou o camelô que tentou desarmá-lo no Brás, quando a PM cumpria, por ordem do Comandante Geral, uma função que não é de sua competência, ou seja, fiscalização de postura do município.
 

Aí eu pergunto:

COM A CRESCENTE TAXA DE CRIMINALIDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO, POR QUE MOTIVO ESSES POLICIAIS NÃO SÃO COLOCADOS PRA COMBATER O CRIME, MAS SIM PARA FISCALIZAR POSTURA DE CAMELÔS?

 

O QUE MAIS AFLIGE A SOCIEDADE? O HOMICIDA, O TRAFICANTE, O ESTUPRADOR? OU O TRABALHADOR QUE VENDE PRODUTOS CLANDESTINOS?

A LETALIDADE POLICIAL EXISTE POR FALTA DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DOS SETORES RESPONSÁVEIS DA PM. ISSO É FATO.

 

A CADA VEZ QUE AUMENTA A CRIMINALIDADE A PM SAI ÀS RUAS PRA FAZER COMANDO DE TRÂNSITO, COMO SE PRENDER VEÍCULOS COM DOCUMENTO ATRASADO FOSSE REDUZIR A CRIMINALIDADE. LADRÃO NÃO ANDA COM CARO COM DOCUMENTO VENCIDO.

 

A POLÍCIA MILITAR deve urgentemente, rever seus conceitos. Deve se modernizar, assim como a criminalidade o faz. Deve assumir responsabilidades pela alta taxa de letalidade policial e mais, pela alta taxa de letalidade de seus policiais, quer pelo crime organizado, quer pelo abandono do Estado. Deve ter uma postura empresarial que tranquilize o seu efetivo acerca do que deseja dele, e não que confunda a cabeça do policial, primeiro instigando e depois fustigando, como se fosse um cão, adestrado para o combate mas sob o jugo de uma coleira direcionadora de seus ataques.
 

Essa covardia institucional reforça a necessidade de uma interveniência de organismos de fiscalização do Estado e de suas instituições, sob pena de crucificar-se o operário, quando a linha de produção inteira foi montada de maneira errada pelos engenheiros, que ganham altos salários para organizarem a empresa e nada fazem, e nem são responsabilizados por isso.
Não tenho a pretensão que o comandante geral PMESP se manifeste a esse respeito, mas espero que o bando de bajuladores que tem na internet, pelo menos levem essa crítica ao seu conhecimento, uma vez que ele pode estar sendo conivente com toda essa patifaria por uma simples desinformação, o que mais acontece na PMESP.

POLICIAL, NÃO PERCA A DIGNIDADE QUE TROUXE DE CASA SERVINDO A QUEM NÃO SABE VALORIZÁ-LA.

OS VALORES RECEBIDOS EM CASA SÃO INSUBSTITUÍVEIS.

 

Marco Ferreira- Jornalista


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