Secretário nega oferta de ajuda federal para conter violência em SP

27/10/2012 15:11

 

EDITORA DO PAINEL
FÁBIO ZAMBELI - ANDRÉIA SADI - VERA GUIMARÃES

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, nega que tenha havido qualquer gesto do governo federal propondo ajuda ao Estado no combate à onda de violência no Estado.

Dilma ofereceu ajuda para conter criminalidade em São Paulo

O secretário afirma que teve um único encontro com um representante do governo federal, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), que ocorreu numa sexta-feira em junho deste ano. "Foi uma visita protocolar, de cortesia. Ele [Cardozo] veio nos agradecer pela colaboração que temos dado à Senasp (Secretaria Naciona de Segurança Pública)."

Naquela ocasião, diz o secretário, foi entregue a Cardozo um ofício reiterando pedidos de repasses de verbas federais para instrução, tecnologia da informação e inteligência das polícias. "Em nenhum momento se falou em preocupação da presidente Dilma ou do governo federal com a situação de São Paulo. A relação que temos com o Ministério da Justiça é de cooperação técnica", disse ele ao jornal, nesta manhã, por telefone.

Em seguida, o secretário afirmou, em uma segunda conversa com a Folha na manhã deste sábado, que, além disso, não haveria nada que o governo federal pudesse fazer para ajudar na questão da violência em São Paulo. "A segurança pública é do Estado. Somos parceiros do governo federal em várias áreas, a Polícia Federal e a polícia do Estado dialogam e trabalham em intercâmbio, mas a prerrogativa da segurança no Estado é nossa. Temos completo controle da situação", afirmou.

Na edição desta sexta-feira, o Painel, da Folha, informou que emissários da presidente Dilma Rousseff estiveram com Ferreira Pinto e ofereceram ajuda, inclusive na área de segurança, mas as conversas não prosperaram.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, confirmou neste sábado o encontro e a oferta de ajuda.

"Nós sempre demonstramos preocupação e oferecemos a todos os Estados brasileiros, inclusive a São Paulo, apoio necessário para enfrentar o crime organizado. Colocamos à disposição ações de segurança pública e presídios de segurança máxima para receber líderes dessas organizações que comandam ações dentro de presídios estaduais", disse ele à Folha.

"Estamos fazendo isso com Alagoas, Estado governado pelo PSDB. O que nos recusamos é ser mero repassador de recursos sem discutir planos de eficiência de segurança. O Ministério da Justiça não é a Casa da Moeda", afirmou Cardozo.

Ao mesmo tempo em que nega que tenha havido oferta de cooperação, o secretário de Segurança Pública do governo paulista dá vários exemplos para sustentar que o Estado de São Paulo não precisa de ajuda federal.

"Não precisamos de Força Nacional, do Exército, para garantir a tranquilidade das eleições municipais, como ocorre em vários lugares do país. Abrigamos Fernandinho Beira-Mar no Estado durante quatro anos, sem que houvesse nenhum problema. Temos no sistema prisional um Regime Disciplinar Diferenciado que é modelo para todo o país."

Ferreira Pinto reforça a tese que vem sendo defendida pelos tucanos, como o governador Geraldo Alckmin e o candidato José Serra, a de que a prerrogativa federal é coibir a entrada de drogas e armas nas fronteiras, que abastecem o crime organizado nos Estados. Serra tem cobrado em debates e entrevistas que o governo Dilma é "omisso" nessa tarefa de vigiar as fronteiras do país.

"O governo federal precisa é coibir o tráfico de armas e drogas nas fronteiras. Nesta área de segurança não há partidos políticos, o que há é o interesse nacional, afirmou Ferreira Pinto.


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